Zika, dengue e chikungunya registraram aumento no número de casos no Rio de Janeiro e em todo Brasil nos últimos tempos. As três doenças são causadas por vírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti e são motivo de preocupação entre os turistas que circulam no país e cariocas, pois a cidade do Rio de Janeiro já foi palco de grandes epidemias de dengue no passado (a maior de todas em 2008).

Combate à Zika, Dengue e Chikungunya no Rio de Janeiro

A dengue sempre foi um problema para os cariocas, que convivem com a doença desde a década de 80 do século passado. Agora que o mesmo mosquito é responsável pela transmissão de outras duas doenças, o problema ganhou uma proporção muito maior, assustando os cariocas, que esperam das autoridades uma atitude rápida e eficaz no combate ao problema.

Escrever sobre essas doenças é difícil para quem mora no Rio, porque a quantidade de pessoas e histórias conhecidas por qualquer carioca acerca dessas enfermidades é sempre muito grande. Entretanto, consideramos que é nosso dever informar ao visitante que estas doenças representam um risco real à sua saúde. O objetivo do texto não é alarmar ou afugentar os turistas, mas oferecer dados reais e a experiência de quem infelizmente aprendeu a conviver com essas enfermidades, mostrando as formas básicas de proteção e o que fazer se algo der errado.

Entenda o visitante que apesar de os cariocas terem aprendido a conviver com essas circunstâncias, a situação das mulheres que se preparam para engravidar e as que já estão grávidas ainda é considerada muito preocupante na cidade. De modo que efetivamente, devido ao risco real de desenvolvimento de microcefalia para os futuros bebês de nossas visitantes, recomendamos expressamente que mulheres grávidas evitem o Rio de Janeiro e outras cidades brasileiras sabidamente acometidas por estas enfermidades. O conselho oferecido pelas cariocas também vale para as mulheres com intenção de engravidarem em pouco tempo.

Os números a respeito das notificações de casos das três doenças não são confiáveis, devido ao fato de que muitas pessoas simplesmente não vão ao médico se consultar, além da baixa qualidade das notificações, consequência direta da baixa qualidade dos atendimentos médicos encontrados na rede pública de saúde.

Entretanto, mesmo com uma notificação sabidamente inferior a real, a quantidade de casos das três doenças se manteve bastante alta durante o verão carioca. Pois essa é a época preferida pelo mosquito Aedes aegypti, que é o vetor de propagação das enfermidades. A expectativa é que por influência direta do clima frio do Rio de Janeiro no inverno, a população de mosquitos diminua drasticamente, reduzindo sensivelmente os números das doenças e os riscos, para cariocas e visitantes.

Porém, acreditamos que estar melhor informado sobre as viroses ajuda o turista a saber como se prevenir do contágio e, em caso de contaminação, como identificar o problema e como buscar a melhor forma de tratamento. A regra da informação vale não só para os vírus da zika, dengue e chikungunya como também para o mosquito Aedes aegypti, arquiinimigo da população há muitas décadas.

Características do Mosquito Aedes aegypti

O primeiro registro científico do mosquito Aedes aegypti data de 1762. Aedes, em latim, significa indesejado e aegypti faz alusão ao Egito, local de origem do inseto, que chegou ao Brasil no porão dos navios negreiros e foi identificado no país pela primeira vez em 1898. Campanhas contra a febre amarela reduziram drasticamente a ocorrência do mosquito na década de 1950, mas deslocamentos humanos e o relaxamento das políticas de prevenção na década seguinte fizeram com que a presença do Aedes voltasse a crescer no Brasil.

O mosquito mede entre cinco e sete milímetros na forma adulta, tem cor escura e apresenta listras brancas no corpo e nas patas. Só a fêmea da espécie pica e ela o faz preferencialmente no começo da manhã e no fim da tarde. Seus alvos mais comuns são as pernas e pés. O mosquito apenas carrega os vírus, se tornando hospedeiro ao picar uma pessoa contaminada, e transmitindo a doença involuntariamente na medida em que se alimenta. Um inseto consegue infectar até cinco pessoas num dia.

O Aedes se reproduz em ambientes de água parada e com temperatura de aproximadamente 30ºC. O combate à transmissão das doenças causadas pelo mosquito hoje está concentrado em ações para evitar a formação de habitats para sua reprodução, tais como o descarte apropriado de itens que, dispersos ao ar livre possam se transformar em criadouros, por acumular água da chuva, bem como o uso de larvicidas.

Diferenças entre Aedes aegypti e Pernilongo

É importante perceber também as diferenças entre o Aedes aegypti e o pernilongo comum, chamado genericamente de Culex. Segundo o pesquisador José Bento Ribeiro, da Fiocruz, entidade brasileira de excelência para pesquisas biológicas e afins, muitas pessoas se assustam ao encontrarem pernilongos comuns. De acordo com o pesquisador, o Aedes aegypiti tem hábitos diurnos, porém por ser oportunista, a fêmea pode picar à noite caso tenha alguma chance. Além de costumar voar abaixo de 1,2 metros, preferindo por isso, picar mais os pés, as pernas e os joelhos. Este mosquito tem uma picada indolor. Já o pernilongo, além de voar alto e fazer um zunido, sai para se alimentar à noite, deixando uma picada mais dolorida e incômoda. Veja as diferenças no quadro ao lado.

A Fiocruz preparou o infográfico abaixo para informar a população a respeito da zika, dengue e Chikungunya, sobre suas origens, sintomas, riscos e prevenção.

A Fiocruz preparou este infográfico para informar a população a respeito da zika, dengue e Chikungunya, sobre suas origens, sintomas, riscos e prevenção.

Zika

A ocorrência na floresta Zika, em Uganda, batizou esta doença registrada pela primeira vez em 1947. O vírus chegou ao Brasil em abril de 2015. Há registros controversos sobre a sua transmissão no país por meio de amamentação, vacinas, relações sexuais, contato com urina ou saliva. Cerca de 80% das pessoas contaminadas pelo vírus Zika não manifestam os sintomas da doença, que começam a ser sentidos entre três e sete dias após o paciente ser picado do mosquito.

Os principais sintomas do contágio por zika são: Coceira, dor de cabeça, febre baixa e vermelhidão na pele e nos olhos. Outros efeitos mais raros da virose são dor de garganta, inchaço no corpo, tosse e vômito. O primeiro caso de óbito causado pela doença foi registrado no Brasil em novembro de 2015.

O Governo Federal confirmou em 28 de novembro de 2015 a ligação entre casos de vírus Zika em grávidas e o surto de microcefalia em recém-nascidos na região nordeste. A microcefalia é uma malformação congênita na qual o cérebro não se desenvolve da maneira adequada. São considerados nesta condição todos os bebês que nascem com perímetro cefálico igual ou menor que 32 centímetros após 37 semanas de gestação.

Aproximadamente 90% das vítimas da microcefalia apresentam retardo mental, em diferentes tipos e níveis. Segundo informações levantadas pelo governo, tudo indica que o problema é mais frequente nos filhos de mães que tiveram zika nos três primeiros meses de gravidez. Outra consequência mais rara da zika é a Síndrome de Guillain-Barré, caracterizada pela fraqueza e paralisia dos músculos dos pacientes e que pode ser fatal em casos sem acompanhamento médico.

Dengue

Dengue, em espanhol, significa manha, moleza. O nome da doença é uma alusão ao estado de prostração característico de quem é contaminado pelo vírus. O primeiro caso no Brasil foi registrado em 1986. O verão é o principal período de contágio devido ao aumento da população de mosquitos. O monitoramento da Secretaria Municipal de Saúde contabilizou 1.405 casos de dengue na cidade até o último dia 11 de fevereiro. Recreio dos Bandeirantes, Realengo, Complexo do Alemão, Barra da Tijuca e Bangu são os bairros com maior incidência da doença, que tem menor ocorrência em regiões como Botafogo, Copacabana, Ipanema e Leblon.

Os sintomas da dengue são sentidos entre três e 14 dias após a picada do mosquito. Febre alta, náusea, vômitos e dor de cabeça, nos olhos, músculos e articulações são alguns deles. O mal-estar costuma se prolongar por até sete dias. O agravamento desse quadro pode gerar a chamada dengue hemorrágica, que afeta a quantidade de plaquetas do sangue do doente, caracterizada por vômitos persistentes, dificuldade de respirar,sangramento pelo nariz, boca e gengivas, sede excessiva, boca seca, sonolência, agitação e confusão mental e que pode ser fatal, devendo-se buscar ajuda médica imediatamente. Não existe vacina ou tratamento específico para dengue. A Organização Mundial da Saúde recomenda descanso e ingestão de líquidos para pacientes com a doença, além de acompanhamento médico para os casos mais graves.

Chikungunya

Chikungunya, no idioma swahili, significa “aqueles que se dobram”. A expressão é uma referência ao aspecto encurvado adotado pelas vítimas da doença, que foi identificada pela primeira vez na Tanzânia no ano de 1952. A virose chegou ao Brasil em 2014. O Ministério da Saúde registrou 12 casos no Rio em 2015. Uma possível justificativa adicional para a pequena quantidade de notificações de chikungunya no estado é o fato de, em 30% dos casos, a doença não gerar sintomas nos pacientes.

Os sintomas da chikungunya são dores intensas nas articulações dos pés, mãos, dedos, tornozelos e pulsos. Além disso, a infecção causa manchas vermelhas na pele, febre alta e dores de cabeça e nos músculos de suas vítimas. A doença não tem vacina nem tratamento específico. A Organização Mundial da Saúde indica que pacientes com a virose descansem, controlem a febre por meio de paracetamol e bebam água, sucos, soro caseiro ou água de côco. Outra recomendação é que os doentes procurem usar repelente e evitem a automedicação.

Prevenção à Zika, Dengue e Chikungunya

A prevenção básica à zika, dengue e chikungunya se confunde muito com a prevenção às picadas pelo mosquito Aedes aegypti. Usar roupas que protejam pernas, tornozelos e pés, bem como a utilização de repelentes de insetos e inseticidas, de acordo com as instruções dos fabricantes. Também é uma boa prática combater os focos de criação do mosquito, ou seja, qualquer objeto que sirva como recipiente para o acúmulo de água a céu aberto. Por isso, pedimos que tenha atenção ao seu lixo, não abandone latas, garrafas e embalagens, coloque-as sempre no lixo. Você pode informar focos de contaminação através do telefone 1746, pelo que agradecemos antecipadamente. Ou se preferir, por meio deste pequeno formulário , através do qual notificaremos as autoridades em seu nome.

Tendo em vista que as informações ainda são divergentes quanto à contaminação por zika através do contato sexual desprotegido, além das doenças sexualmente transmissíveis, sempre use proteção. É controversa também a contaminação por zika em decorrência do contato com urina de pessoas contaminadas. Por isso sugerimos fortemente andar sempre com sapatos fechados, especialmente por locais próximos a aglomerações de pessoas (carnaval, festas populares, praças etc.) onde pessoas muito mal educadas podem optar por urinar nas ruas (sim, infelizmente isso acontece no Rio). E, mais recentemente, pesquisas científicas apontam para a possibilidade de contágio através de feridas não cicatrizadas.

O Governo Federal Brasileiro criou uma boa página com informações sobre a zika, dengue e chikungunya, caso você precise de informações mais detalhadas. O Governo Federal, também orienta a população sobre os procedimentos abaixo para o caso de contaminação:

O Que Fazer em Caso de Suspeita de Adoecimento

Não existe tratamento específico para dengue. O tratamento é feito para aliviar os sintomas. É importante procurar um serviço de saúde, fazer repouso e ingerir bastante líquido. Importante também não tomar medicamentos por conta própria.

Também não existe vacina ou tratamento específico para chikungunya. Os sintomas são tratados com medicação para a febre (paracetamol) e as dores articulares com antiinflamatórios. Não é recomendado usar o ácido acetil salicílico (AAS) devido ao risco de hemorragia. Recomenda-se repouso absoluto ao paciente, que deve beber líquidos em abundância. E, certamente, buscar um serviço de saúde.

Não existe tratamento específico para a infecção pelo vírus zika. Também não há vacina contra o vírus. O tratamento recomendado para os casos sintomáticos é baseado no uso de acetaminofeno (paracetamol) ou dipirona para o controle da febre e manejo da dor. No caso de erupções pruriginosas, os anti-histamínicos podem ser considerados. Além de ser muito importante buscar um serviço de saúde.

Veja abaixo o quadro comparativo sobre os sintomas da zika, dengue e chikungunya elaborado pela Prefeitura do Rio:

Diferenças nos Sintomas da Zika, Dengue e Chikungunya

Não se recomenda o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e outros anti-inflamatórios, em função do risco aumentado de complicações hemorrágicas descritas nas infecções por outros flavivírus.

Os casos suspeitos devem ser tratados como dengue, devido à sua maior frequência e maior gravidade imediata.

Caso você tenha um seguro de viagem nacional ou internacional, ou plano de saúde, selecionamos alguns dos principais hospitais para atendimento localizados nas principais áreas de hospedagem turística e trânsito de turistas da cidade, cobertos pelos principais seguros: Copacabana Copa D’Or: +55 21 2545 3600, Rua Figueiredo de Magalhães, 875 – Copacabana, São Lucas: +55 21 2545 4000, Travessa Frederico Pamplona, nº 32 – Copacabana. Gávea São Vicente: +55 21 2529-4422, Rua João Borges, 204 – Gávea. Botafogo Samaritano: +55 21 3444-1000, Rua Bambina, 98 – Botafogo, Pró-Cardíaco: +55 21 2131 1400, Rua General Polidoro, 192 – Botafogo. Humaitá Casa de Saúde São José: +55 21 2538-7626, Rua Macedo Sobrinho, 21 – Humaitá.

Caso você não tenha um seguro de viagem, a Prefeitura do Rio oferece um serviço para localização de postos de atendimento médico e hospitais públicos. Por sua vez, o Governo do Estado disponibiliza consulta à sua rede de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que funcionam 24 horas. Desejamos que nunca precise, mas o telefone do serviço de ambulâncias de emergência do Rio de Janeiro é 192.

O Que Ninguém Fala

  • Questões de saneamento básico e assuntos ligados à dengue sempre foram plataformas de campanhas eleitorais no Rio de Janeiro. Infelizmente, as soluções definitivas para o problema ainda não foram postas em prática, e as promessas se repetem a cada eleição. De modo que é inexplicável como, após tantas décadas de problemas, os cariocas e muitos outros cidadãos brasileiros continuem sofrendo com essa situação.
  • Muito embora não se fale abertamente a respeito, o mosquito Aedes aegypti também é vetor para propagação de outras muitas doenças, dentre elas a febre amarela. E, talvez, apenas por falta de condições propicias os cariocas ainda não enfrentem dificuldades mais sérias.
  • A associação entre a zika e a microcefalia interfere atualmente no planejamento familiar de muitas famílias cariocas, colocando as mulheres do Rio de Janeiro na difícil situação de ter que escolher entre adiar a concepção de seus filhos, esperando o controle efetivo da zika ou correr o risco de ser contaminada durante a gestação e predispor seu feto à microcefalia. Essa situação é especialmente mais complicada para mulheres em idade mais madura, que dispõem de pouco tempo de espera para poder engravidar e ter sua gestação com um pouco mais de segurança.
  • E embora pareça exagerado, por isso a nossa recomendação para que mulheres grávidas ou que pretendam engravidar em breve, evitem o Rio de Janeiro bem como outras cidades que sabidamente sofram com a zika. Por medo de arriscarem a saúde de seus filhos, as mulheres cariocas que desejam engravidar, e tem condições, deixam a cidade.

Créditos das imagens: Fotospublicas.com.br, Piktochart, Rio.rj.gov.br, Riocomsaude.rj.gov.br e Riocontradengue.com.br