A violência no Rio de Janeiro é uma questão que preocupa tanto moradores como visitantes. A cidade tem um triste histórico de ocorrências traumáticas, que colabora para essa fama de cidade violenta e de ser um lugar perigoso. Embora seja uma cidade com vários problemas e com especificidades que fazem a questão da segurança um tema complexo e polêmico, o circuito turístico carioca é, em geral, seguro, pois a orla é usualmente foco de um maior policiamento e de uma atenção maior do poder público quanto à segurança em geral. Mas a cidade como um todo padece ainda da falta de segurança, em função de uma conjuntura social e econômica combinada à falta da presença adequada do Poder Público por décadas.

Policiamento Contra a Violência no Rio de Janeiro

O que é recomendável, tanto no Rio quanto em qualquer lugar, é que o turista considere sempre regras básicas de segurança. Andar por lugares conhecidos com guias ou moradores reduz as chances de algo de mal acontecer. Mesmo quem não tem oportunidade de cumprir todos esses pré-requisitos pode ter uma viagem tranquila se informando melhor sobre a cidade e sobre os lugares mais seguros para se transitar. Reunimos abaixo estatísticas do Instituto de Segurança Pública sobre ocorrências que costumam vitimar turistas no Rio. Saber mais sobre elas é reduzir as chances desses fatos acontecerem.

É importante saber, contudo, que muitas ocorrências de violência no Rio e crimes não são registrados, especialmente aqueles em que não é necessário documentar o fato para questões como tirar segunda via de documentos e cancelar cartões de crédito. Furtos de cordões, brincos, dinheiro e até bicicletas muitas vezes não são relatados, pois as chances de recuperação dos objetos furtados é mínima.

Outra situação, bastante distinta, é a aplicação de pequenos golpes, sem imposição de violência. Acerca dessas situações, que possuem um contorno muito específico no Rio de Janeiro, recomendamos a leitura do guia que aborda os Golpes Contra Turistas no Rio de Janeiro.

Antes de tudo é importante saber que existe uma delegacia especializada no tratamento de questões ligadas ao turista, cujo telefone de atendimento é 55 21 2232-2924 e o endereço é Av. Afrânio de Melo Franco, 159 – Leblon. Lembrando ainda que o telefone de atendimento de emergêcia da polícia do Rio de Janeiro é 190.

Furtos Sem Violência no Rio

A região da Lapa, no Centro do Rio, foi o local da cidade com maior número de registros de furto em 2015. As delegacias da Praça da República e da Avenida Mem de Sá contabilizaram 5.362 e 5.254 ocorrências do tipo, respectivamente, uma média de 29 furtos por dia na região da Lapa. O bairro de Copacabana, na Zona Sul, também se destaca entre as localidades com grande número de furtos. Foram, ao todo, 5.015 casos registrados no ano passado, média de aproximadamente 14 furtos por dia. Mais de 4.600 pessoas procuraram a delegacia do Leblon para notificar ocorrências de furto e 2.277 procuraram a delegacia de Ipanema pelo mesmo motivo.

Policiamento Contra a Violência na Lapa Rio

É importante lembrar também, que foi instituído o Programa Lapa Legal, que atua de forma diferenciada na região, e vem alcançando muito bons resultados na redução da criminalidade e da violência no local.

O grande número de casos de furto em áreas frequentadas por turistas deve ser motivo de atenção para quem visita a cidade. O ideal é andar em grupo, preferencialmente durante o dia e sempre atento a qualquer movimentação estranha.

Outra dica importante, para evitar a violência no Rio, embora pareça inusitada é tentar não parecer turista, isso quer dizer, na prática não chamar a atenção com roupas extravagantes nem exibindo desnecessariamente máquinas fotográficas e smartphones ou mapas.

Quem se sentir correndo perigo ou perceber que foi vítima de furto pode pedir ajuda a autoridades policiais, guardas municipais ou comerciantes locais antes de ir a uma delegacia registrar o caso. O registro é importante para as estatísticas de segurança, além de servir como prova do furto, para situações como tirar segunda via de documentos, e cancelar cartões de crédito. Além disso, permite que a polícia planeje melhor como vai agir nas diferentes partes da cidade.

Roubo a Transeunte e Violência no Rio

Mais de 60 mil casos de roubo a transeuntes foram registrados no estado do Rio em 2015. O bairro de Bangu foi a região com maior número de ocorrências contabilizadas: 2.159. Madureira ficou em segundo lugar, com 1.839 casos. Vicente de Carvalho, com 1.799 assaltos, ficou em terceiro. As três localidades ficam distantes do circuito turístico da cidade, onde o número de ocorrências foi bem mais baixo para desse tipo de crime. Cerca de 500 assaltos foram registrados na delegacia do Leblon, 253 na unidade de Copacabana e 158 em Ipanema, não há registro sobre o tipo e violência empregado.

Os três primeiros meses do ano foram aqueles com maior número de registro de roubos a transeuntes. Foram 6.928 em janeiro, 6.421 em fevereiro e 6.145 em março. O período coincide com o verão, época em que um grande número de turistas circula pela cidade. Recomenda-se que as vítimas de assalto com armas nunca reajam durante a abordagem do criminoso e mantenham a calma. Muitas vezes o criminoso está tão nervoso quanto a vítima e algum tipo de reação pode desencadear atos de violência. Além do que nenhum bem material vale uma vida. Após a ocorrência, a pessoa que foi roubada deve procurar a autoridade policial para o registro do boletim de ocorrência.

Roubo de Celular e Violência no Rio

O roubo de telefone celular é um tipo de crime que vem se tornando cada vez mais frequente no Rio nos últimos anos. Uma forma simples e eficiente de evitá-lo é só usar o aparelho em ambientes seguros, como shoppings e lojas. Quem quiser usá-lo em locais abertos deve estar atento à movimentação à volta para não ser vítima de surpresas desagradáveis. Mais de 12 mil celulares foram roubados no estado do Rio em 2015.

Bangu foi o local com o maior número de ocorrências registradas na capital. Foram 598. Realengo, com 377 casos, e o Méier, com 369 registros, também merecem destaque. As três localidades ficam distantes do circuito turístico carioca, onde o número de celulares roubados é bem menor. Cerca de 120 casos foram registrados no Leblon durante todo o ano passado. Os números foram ainda menos significativos em Copacabana e Ipanema, onde menos de 80 pessoas procuraram as delegacias para se queixar de problemas do tipo. Mas é importante lembrar que muitos desses roubos, assim como furtos sequer são registrados, e os números reais podem ser bem maiores.

Roubo de Veículos e Violência no Rio

Dirigir no Rio já é naturalmente uma aventura. Os cariocas têm um estilo agressivo ao volante, que espanta quem vem de fora e incomoda muito os bons motoristas da cidade. Mas esse não é o único risco para quem é motorista no Rio de Janeiro, que também registra um número preocupante de roubos de veículos. A localidade de Vicente de Carvalho registrou em 2015 mais de 1.200 casos do tipo. Já no bairro de Honório Gurgel foram 1.182 veículos roubados. Mais de 1.100 ocorrências foram registradas na delegacia da Pavuna. Os três locais ficam na Zona Norte, distantes dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade, onde o roubo de veículos é menos comum.

O Leblon registrou 16 ocorrências do tipo durante todo o ano passado. Onze casos foram contabilizados pelas delegacias de Copacabana e Ipanema. Os meses de dezembro, janeiro e março foram aqueles com maior número de veículos roubados. Foram, respectivamente, 3.140, 2.874 e 2.861 casos registrados.

Latrocínio e Violência no Rio

A turista argentina Laura Pâmela Viana morreu esfaqueada na Praia de Copacabana após ser vítima de um assalto em 18 de fevereiro de 2016. O caso entrou para as estatísticas de latrocínio, o roubo seguido de morte e deixou os cariocas bastante entristecidos. É um tipo de ocorrência raro no circuito turístico, onde casos assim não foram registrados em 2015. O bairro de Vicente de Carvalho foi o que mais registrou latrocínios no ano passado: 5. Bangu, Campo Grande e Pavuna contabilizaram 4 casos cada um em 2015. Essas localidades ficam a quilômetros de distância da orla oceânica da cidade.

Os meses de abril, junho e março foram aqueles com maiores números de latrocínios registrados no estado com, respectivamente, 21, 16 e 15 casos do tipo. Mais de 130 roubos seguidos de morte foram contabilizados em todo o estado do Rio durante todo o ano de 2015. Sendo uma triste evidência da violência no Rio.

Houve um período ao longo de 2015 e início de 2016 em que o uso de facas e outros objetos cortantes, como garrafas quebradas, foi destaque nos jornais do Rio de Janeiro, e a violência assustou não apenas os turistas e visitantes, mas também, e principalmente, os moradores da cidade. É preciso ter atenção à movimentação à volta quando se está caminhando pela cidade, mesmo em locais que parecem seguros e movimentados como o Centro, e especialmente em locais com menos movimento, como o parque do Aterro do Flamengo e a Lagoa, locais em que por vezes as pessoas se escondem entre as árvores para então assaltar os transeuntes.

Violência no Rio e Arrastões

Outro problema das praias cariocas são as confusões coletivas conhecidas como arrastões, que são uma turba de gente que atravessa os banhistas furtando celulares, cordões, carteiras e o que mais de valor estiverem portando, com alguns episódios de violência já registrados. O turista que desconfiar que algo do tipo está na iminência de acontecer pode conversar com os camelôs ambulantes, que são um bom termômetro nessas ocasiões. Além disso, deve sair da areia e buscar abrigo em lojas, quiosques, edifícios das redondezas, evitando, assim, o risco.

Locais Para Se Evitar no Rio

É preciso estar atento a que locais frequentar, na medida em que alguns bairros são bastante violentos, e comunidades igualmente o são, com frequentes confrontos entre facções criminosas rivais e entre estas e a polícia. Os moradores dessas comunidades são os que mais sofrem com a violência e com o estigma que recai sobre eles, por dividirem o espaço em que vivem com organizações criminosas ligadas principalmente ao tráfico de drogas.

A peculiaridade do Rio de Janeiro é de que as zonas turísticas e também as mais nobres convivem lado a lado com as comunidades, também conhecidas como favelas. Ipanema, Copacabana e Leblon possuem muitas comunidades, porém, é difícil localiza-las, pois ficam escondidas atrás dos grandes prédios da região.

Muitas dessas comunidades são ocupadas pelo crime organizado e conflitos entre facções distintas assim como com policiais ocorrem com frequência. Normalmente, são locais acessíveis apenas para moradores, não sendo seguro ir sozinho a essas localidades. Razão pela qual desaconselhamos o passeio genericamente chamado favelatour. Embora muitas vezes seja propagado, não existe encanto ou charme em morar em favelas, a vida é especialmente difícil nestes locais.

Entenda-se muito claramente que a criminalidade atribuída às favelas não é devido aos moradores que ali residem, mas ao crime organizado que se infiltra na vida das pessoas, que por omissão do Estado precisam aprender a conviver com essa terrível situação.

Dessa forma, não há como precisar um lugar seguro ou não, mesmo lugares na própria região turística são perigosos, dependendo da hora do dia ou da noite. A avaliação deve ser feita caso a caso. Pergunte sempre a alguém de confiança que more na cidade. Na falta dessa pessoa, pergunte em seu hotel, em sua agência de viagens ou mesmo para algum comerciante próximo. Nessa circunstância, cariocas costumam ser bastante solidários, pois a violência e o crime são inimigos comuns de todos os cariocas de bem.

A Violência no Rio e os Crimes Sexuais

A atenção do turista deve recair também na prevenção de crimes sexuais, que muitas vezes, consideramos, causam mais dano que crimes de morte. As estatísticas do país são assustadoras, pois estima-se que aconteçam mais de 500.000 estupros por ano, sendo registrados apenas 35% dos casos. O estado do Rio de Janeiro concentra 12% (dados de 2014) dos registros de estupro do país.

O circuito turístico, de um modo geral, é seguro, mas é preciso ter cautela. Tendo dúvidas acerca da segurança de certa localidade, é interessante pesquisar a respeito, perguntar a alguém de sua confiança, ou ainda se informar junto a agências de viagem e de turismo, que podem indicar locais e rotas seguras para conhecer a cidade sem sustos e fugir da violência no Rio. A falsa impressão de o Rio de Janeiro ser uma cidade permissiva e acolhedora, leva muitas mulheres a acreditar que estão essencialmente seguras, mas isso não é inteiramente verdade. Pais e mães cariocas costumam ser muito preocupados com relação às suas filhas e esposas.

Protesto Contra a Violência Contra a Mulher no Rio de Janeiro

Existe na cidade uma cultura bastante machista que promove um tipo de assédio sexual que muitas vezes não é nada dissimulado. Infelizmente, muitos cariocas costumam fazer brincadeiras e elogios impertinentes com mulheres desacompanhadas. Essa situação dificilmente evoluirá para um crime sexual, mas pode ser bastante desagradável em caso de confronto. Por isso, sugerimos não confrontar esse tipo de atitude, buscando se proteger e sair da situação sem se arriscar. Entenda a leitora que não se trata de ser passiva. Diante de uma ameaça ou excesso real. Se alguém encostar em você ou lhe segurar deve-se reagir sim, proporcionalmente e à altura. O ideal, entretanto, é andar acompanhada, pois a audácia desse tipo de comportamento diminui drasticamente quando a mulher está acompanhada por um homem, uma postura machista e lamentável, mas que acontece.

Uma boa estratégia para prevenir situações desagradáveis em geral no Rio, é não se expor. Por isso é importante usar transportes confiáveis e sempre que possível andar em grupos.

Pais cariocas gostam que seus filhos avisem quando embarcam em táxis, falando em alto e bom tom que já estão a caminho de casa e pedindo que lhe aguardem. Pouquíssimas pessoas na cidade falam abertamente sobre essas questões de violência no Rio, mas elas existem e devem ser respeitadas.

Créditos das imagens: André Gomes Melo, Rj.gov.br, Tânia Rêgo