A água no Rio de Janeiro é um problema sério, tanto com relação à qualidade destinada ao consumo de sua população, quanto a sua falta em épocas de calor e seca, o que vem se agravando nos últimos anos.

Água no Rio de Janeiro

Para o nosso visitante, é importante saber que nem todos os lugares da cidade recebem água potável encanada e nem todas as casas e comércios têm coleta de esgoto. Além disso, a distribuição é feita de modo bastante desigual, e alguns lugares permanecem muito tempo sem que a água seja regularmente fornecida.

A captação, o tratamento e a distribuição da água no Rio de Janeiro e em outros municípios próximos é de responsabilidade do Estado do Rio, cuja tarefa é executada por meio da empresa pública chamada CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), que também cuida da captação e do tratamento do esgoto da cidade.

Tratamento de Esgoto e Água no Rio de Janeiro

A Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá são bairros em que o sistema completo de esgotamento sanitário está ainda em fase de implantação. Por muitas décadas, a solução para o fornecimento de água e coleta de esgoto na região foi a utilização de poços artesianos e fossas sépticas, feitas pelos moradores em suas propriedades.

Desde maio de 2012, o município do Rio de Janeiro assumiu, através da concessionária Foz Águas 5, os serviços de coleta e tratamento de esgoto em uma área que compreende 21 bairros da Zona Oeste da Cidade, entre eles, Bangu, Campo Grande, Campo dos Afonsos, Deodoro, Gericinó, Guaratiba, Inhoaíba, Paciência, Padre Miguel, Pedra de Guaratiba, Realengo, Santa Cruz, e Vila Militar.

A principal tarefa dessa concessionária é implantar o sistema público de esgotamento sanitário, ao qual os moradores desses bairros poderão interligar suas residências, passando a ter a coleta feita pelo sistema, que levará ao adequado tratamento do esgoto antes que seja desaguado, entre outras, nas Baías de Guanabara e de Sepetiba. A implantação total do sistema será um grande avanço, inclusive para a despoluição da Baía de Guanabara e de todo o sistema de águas do Rio de Janeiro.

Atualmente, apenas 5% do esgoto produzido nessa região é tratado. O que significa que todo o esgoto não tratado é jogado diretamente nas vias hídricas, contaminando as águas dos rios, e desaguando assim, sem tratamento, no mar. É o caso também da Rocinha, em que 50% do esgoto são jogados diretamente em galerias pluviais.

Qualidade da Água das Praias no Rio

Isso gera poluição ambiental, dos rios, dos lençóis freáticos e até mesmo das praias, inclusive de Copacabana e Ipanema que não raras vezes se tornam impróprias para o banho em razão do alto nível de contaminação da água, como consequência do esgoto não tratado que lá é despejado.

Tanto para os cariocas como para os visitantes, o que se recomenda é verificar, antes de ir à praia, quais estão próprias ao banho, evitando frequentar, ou ao menos entrar no mar, naquelas que estejam inadequadas. Com isso, evita-se contaminação e desagradáveis doenças que podem acabar mais cedo com as férias dos desavisados.

Poluição na Praia de Botafogo no Rio de Janeiro

Segundo o INEA (Instituto Estadual do Ambiente) considera-se imprópria a praia cujo o último resultado da análise for superior a 2.500 (NMP de Coliformes Termotolerantes/100mL) ou se nas últimas 5 campanhas, dois ou mais resultados forem superiores a 1.000 (NMP de Coliformes Termotolerantes/100 mL).

Recomenda-se fortemente evitar o banho de mar nas primeiras 24 horas após a ocorrência de chuvas e próximo a saída de galeria de águas pluviais ou canais de drenagem.

Consulte as condições diárias das praias.

Beber Água no Rio de Janeiro: Consumo e Culinária

A baixa qualidade da água no Rio de Janeiro é um problema que acomete cariocas e turistas, seja pela questão das praias ou quando, por exemplo, consomem água para beber ou cozinhar, sem que seja filtrada previamente. Recomendamos fortemente que você não consuma água diretamente da torneira para beber, e se possível para cozinhar, em qualquer lugar do Rio.

Ao contrário de outros lugares do mundo, em que basta abrir a bica e beber a água, no Rio de Janeiro é necessário, primeiramente passa-la por um processo de filtragem, de modo a assegurar que esteja realmente adequada ao consumo.

Garrafas de Água Mineral

Na dúvida, o melhor é consumir água mineral, comprada em embalagem lacrada, para garantir que não seja uma garrafa reutilizada e com água da torneira. Garrafas de água potável são facilmente encontradas em mercados e farmácias, e custam entre 2,10 e 2,80 as de 1,5 litros. Em geral a água no Rio de Janeiro é mais barata quanto maior for a quantidade comprada, dessa forma, uma garrafinha de 0,3 litros pode chegar a ser vendida a 4,50 reais, ao passo que um garrafão de 20 litros custa cerca 8,00.

Recomendamos que você sempre leve uma garrafa de água com você para passeios externos. Não se sinta envergonhado, essa é uma prática comum entre cariocas, que estão sempre abastecendo suas garrafas em locais confiáveis para continuar o dia. Entretanto, seja discreto, garrafas muito grandes sempre são atribuídas a turistas.

Saúde na Água do Rio de Janeiro

De uma maneira bastante geral, o cariocas não confiam na água encanada. Por isso, os alimentos frescos sem tratamento prévio devem ser lavados com água potável, filtrada ou fervida, do contrário, podem ser contaminados e levarem às mesmas doenças que ameaçam quem consome água não potável. Em geral, nas casas, as verduras e legumes são lavadas com água confiável e ficam de molho por cinco minutos em solução ácida com vinagre ou produto próprio, porque, dentre outros motivos, nos mercados são constantemente molhadas com água da torneira.

Com relação aos banhos o problema é engolir água durante as ensaboadas. Certamente é inevitável que isso aconteça, a questão será a quantidade. Assim como durante a escovação dos dentes ou qualquer rotina parecida. Não deve se criar uma paranóia de contaminação, apenas evitar o excesso.

Os principais problemas causados pelo consumo de água não potável e pelo esgoto sem tratamento são diarréia infecciosa, cólera, leptospirose, hepatite, esquistossomose, amebíase e outras doenças parasitárias.

Todas essas doenças podem atrapalhar suas férias e levar a problemas maiores, causando transtornos que podem ser evitados com cuidados simples, como não beber água da bica, evitar entrar em rios, lagos, lagoas e mesmo no mar quando estiverem impróprios para o banho, cozinhar os alimentos com água potável, evitar andar desprotegido (de chinelos ou sandálias por exemplo) em áreas alagadas pela chuva.

Falta de Água no Rio de Janeiro

  • Além desses problemas, relativos à qualidade da água consumida no Rio de Janeiro, há ainda a questão da falta d’água, em especial nos meses mais quentes, quando o consumo é menor, e as chuvas nem sempre vêm como esperado. Nos últimos verões, períodos de estiagem têm sido comuns.
  • A água no Rio de Janeiro é abastecida pelos reservatórios de Paraibuna, Jaguari, Funil e Santa Branca, cujas águas deságuam no Rio Paraíba do Sul. Entre as causas da diminuição do volume de água nos reservatórios estão a falta de chuvas, a degradação do solo e o desmatamento de 70% das áreas da bacia hidrográfica que abastece a região.
  • Crise Hídrica em São Paulo

  • Outras regiões do país vem sofrendo gravemente pela falta de água, como São Paulo, por exemplo. A falta de água em outras regiões complicam a situação do próprio Rio de Janeiro, que se vê obrigado a compartilhar sua bacia hidrográfica.
  • Enquanto medidas de solução de longo prazo para o problema não são tomadas, a falta de água no Rio de Janeiro durante o verão escaldante é um problema do qual não se tem como fugir. Ao visitante convém procurar se informar antes de planejar sua viagem, para saber se as condições da cidade são favoráveis no quesito água. Não é muito divulgado na imprensa internacional, mas os reservatórios de água no Rio de Janeiro chegaram a menos de 3% do volume útil no ano de 2015.

Créditos das imagens utilizadas nesse artigo Água no Rio de Janeiro: Agenciabrasil.ebc.com.br, Oswaldo Corneti e Tânia Rêgo.