Por que fazer a Trilha do Morro da Urca?

Atividade física, sombra natural e uma paisagem deslumbrante. Essa fórmula tem atraído turistas e muitos cariocas a fazer a Trilha do Morro da Urca, junto do célebre morro do Pão de Açúcar, mas com um leve (e interessante) desvio do roteiro tradicional. O bairro da Urca, onde fica um dos pontos mais visitados do Rio de Janeiro, já é em si um atrativo. Cercado pelo mar, às portas da Baía de Guanabara, da Mureta da Urca pode-se observar a entrada e saída de navios de cruzeiro, de carga e pequenos barcos de pesca. O bairro fica aos pés do Monumento Natural dos morros do Pão de Açúcar e da Urca, visado por moradores da cidade e visitantes dispostos a desbravá-lo das mais variadas formas.

Vista da trilha do morro da Urca

A mais tradicional é feita pelos bondinhos que ligam os dois morros. Outros preferem escalar, o que pode ser feito por mais de 150 vias. E ainda há grupos que optam pelo boulder, modalidade de escalada em que não se usa equipamentos de segurança. Para qualquer um deles, a recomendação é que a prática seja feita acompanhada de um instrutor de escalada ou guia de montanha profissional certificado.

Outra maneira de chegar nas alturas é justamente percorrer a trilha do morro da Urca. A primeira impressão é de que pode ser um trajeto de nível de dificuldade alto, mas não é tanto assim. Como caminhada, o passeio leva em torno de 40 minutos para subir, de acordo com a sua disposição. Muitos adultos costumam levar crianças para esse percurso, já que não é tão demorado (avalie a pertinência em seu caso específico pois não existem muretas de proteção na trilha). No entanto, a trilha é praticamente uma subida constante, com degraus de terra ou escadas com corrimão de madeira. É uma subida íngreme de cerca de 900 metros de extensão. Por isso, não é uma opção indicada para a terceira idade, quem tem pouco condicionamento físico ou mobilidade reduzida.

Para chegar ao ponto de início da trilha, o local de acesso é o mesmo para quem vai ao bondinho do Pão de Açúcar. O jeito mais fácil de ir é de táxi ou Uber ou semelhantes após o metrô, já que não existe estação de metrô próximo e é difícil encontrar lugar para estacionar. No fim da avenida Pasteur (onde você desce caso vá de transporte público), fica a praça General Tibúrcio e a bilheteria para o bondinho. Avance mais e vá para a Praia Vermelha e siga para o lado esquerdo dela.

Pista Claudio Coutinho

Logo você verá uma placa sinalizando a Pista de Caminhada Claudio Coutinho. É ela que te levará à trilha. Este percurso inicial é bem tranquilo e bonito, com trecho asfaltado e largo, que acompanha o morro junto ao mar. Logo em seguida vem o acesso à trilha, por terra, com a maior parte do percurso sob a sombra das árvores (o que é um grande alívio no calor carioca).

O fim da trilha dá no primeiro morro, o menor, onde você pode encher a garrafinha de água se o filtro aparentar boas condições, usar os sanitários e apreciar a vista. Há lanchonetes e também o museu Cocuruto, que conta a história do bondinho, que está em atividade desde 1912 e foi o primeiro teleférico no Brasil. No contorno do museu você encontra uma ponte suspensa que te levará próximo ao acesso à trilha, por onde chegou.

Se quiser, pode fazer o segundo percurso do bondinho ao morro do Pão de Açúcar. Para subir e retornar ao morro da Urca, o custo é de R$ 40. Se quiser subir e voltar para a Praia vermelha de bondinho (trecho morro da Urca -> Pão de Açúcar -> morro da Urca -> Praia Vermelha), o valor é só um pouco maior. Até 2016, era permitido descer de bondinho (morro da Urca -> praia) no fim da tarde, depois das 19h, de graça. Não mais. Agora tem que pagar R$ 25 ou escolher o mais barato e no clima do seu passeio: voltando pela própria trilha.

De lá do morro da Urca, o portão de acesso ao percurso fecha às 18h. Ainda assim, por mais que o pôr-do-sol seja lindo de lá de cima, é melhor voltar cedo e com luz se for descer pela trilha do morro da Urca. Em caso de qualquer imprevisto, caso alguém caia ou se machuque, quanto mais tarde for, mais difícil será o resgate. Por isso mesmo, o conselho também é subir bem mais cedo.

Passado histórico do Morro da Urca

Uma formação rochosa única, em granito, com mais de 600 milhões de anos, cercada por espécies nativas de Mata Atlântica. Uma das poucas áreas deste tipo de vegetação encontrada em área urbana no Brasil. Os morros da Urca, Pão de Açúcar e Cara de Cão, formaram um ponto estratégico para que Portugal eliminasse qualquer chance dos franceses tomarem a cidade. Eles haviam sido expulsos pelo terceiro governador-geral Mem de Sá, mas alguns se embrenharam na vegetação do entorno e foram auxiliados pelos índios tamoios.

O jesuíta Manoel da Nóbrega informou ao governo português sobre a possibilidade de que os franceses chamassem reforço e tentassem nova invasão.

Assim, uma nova frota chegou ao litoral, liderada pelo sobrinho do governador-geral, Estácio de Sá. Ele desembarcou estrategicamente na região entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar. Tudo isso era uma resposta de que a terra tinha dono, já que ali indicava o posicionamento defensivo na área de acesso à Baía de Guanabara, rota de especiarias da costa litorânea. Estácio de Sá fundou a cidade em 1565, que passou a ser a segunda área da América portuguesa, depois de Salvador.

Atualidades da Trilha do Morro da Urca

Trilha do morro da Urca

A mesma empresa que administra o passeio do bondinho foi a responsável pela melhoria feita recentemente nos dois percursos da trilha do morro da Urca, em um total de 1.250 metros de extensão. Bancos foram instalados, as escadarias e sinalização foram recuperadas e também foram colocados porta-copos para evitar o descarte indevido de lixo.

Por conta dos registros de incidentes no percurso quando o solo está escorregadio, a recomendação é que evite a trilha em dia de chuva ou poucos dias depois de chuva mais intensa.

O que ninguém fala

Qualquer trilha ou caminho no meio da mata pode trazer riscos à segurança. Embora não seja comum, existem relatos de pessoas que se machucam na trilha do morro da Urca. Essencialmente porque são negligentes com aspectos importantes de segurança. Além disso, a trilha possui partes íngremes, sem apoios para as mãos e na ribanceira.

Escalada na trilha do morro da Urca

Embora não tenha sido noticiado, foram relatados alguns assaltos na trilha, por isso recomendamos fazer a caminhada em grupos e não levar itens de valor em suas aventuras. Além de expressamente não percorrer a trilha de noite.

Não precisa ser dito, você sabe que tem que recolher todo o lixo que produzir, não deve alimentar animais silvestres e nem produzir qualquer tipo de fogo, inclusive cigarros no meio da mata. Se ficar com dúvida pergunte, se achar que é desaconselhável, não insista.

Créditos das imagens e agradecimentos para este artigo Trilha do Morro da Urca: Alexandre Kozoubsky, Juliana Lopes e Rogério Zgiet.

Texto com contribuição de Camila Almeida.