Por que fazer a Trilha do Bico do Papagaio

Do alto da Floresta da Tijuca, as pedras em formato bicudo dão nome a uma das trilhas com acessos de níveis de dificuldade variados, mas que terminam com uma vista abrangente da cidade do Rio de Janeiro: a trilha do Bico do Papagaio. Apesar do percurso ser sinalizado, ele deve ser feito em grupo e com a presença de guia certificado, afinal é uma trilha dentro da Mata Atlântica.

Vista do Bico do Papagaio

O Bico do Papagaio fica a 989 metros de altura acima do nível do mar, localizado no Setor A do Parque Nacional da Tijuca. Ele é a segunda montanha mais alta do parque (a primeiro é o Pico da Tijuca) e a terceira em toda a cidade. Com início no Largo do Bom Retiro, no Alto da Boa Vista, a primeira parte do percurso é mais suave e começa na entrada do Parque. Um ou outro obstáculo, como pedras e raízes das árvores. É importante não confundir com o Pico do Papagaio localizado na Ilha Igrande.

Trilha do Bico do Papagaio

No caminho mais acessível, a trilha do Bico do Papagaio é tida como de dificuldade entre fácil e intermediária, e é melhor sinalizado e mais comum entre os grupos. Nele você passa pelo museu do parque e pela Cachoeira das Almas, onde é permitido tomar banho. A subida leva em torno de 1h30. Quando a trilha chega na base da montanha é que a dificuldade aumenta. A subida fica mais íngreme, com maior número de obstáculos, dando mais chance para os tropeços e escorregões.

Trilheiros mais experientes optam por um outro caminho, com nível de dificuldade mais alto e pouca sinalização, passando pela Serrilha do Papagaio (também chamada de Serrilha do João Antônio). Em alguns trechos é feita a “escalaminhada”, um esforço que tem sua recompensa, com alguns mirantes pelo caminho: Mirante da Serrilha, da pedra do Anu e do Urubu. Pouco antes de chegar no topo, tem a passagem pela Fenda do Inferno, com menos de 1 metro de altura para você passar.

Para os dois trechos, o topo é o que interessa, porque dá uma visão de 360º da cidade do Rio de Janeiro. Do alto, você avista o Pico da Tijuca, Pedras da Cocanha e do Conde, que estão próximos. Mais distantes estão a Pedra da Gávea, Pedra Bonita, praias da Barra da Tijuca e do Recreio, o contorno da Serra dos Órgãos e até o topo do Corcovado, entre outros.

Bico do Papagaio

O passeio até o Bico do Papagaio leva em torno de 1h30, mas o cálculo de ida e volta e o tempo para você descansar e curtir a paisagem somam umas 5 horas. Esse tempo pode aumentar para quem for mais aventureiro e quiser fazer um rapel na pedra do bico. É um rapel praticamente vertical, de cerca de 20 metros de altura.

História da Trilha do Bico do Papagaio

Além do formato que dá o nome à montanha, o Bico do Papagaio recebeu outros nomes pelos índios tupinambás, que habitavam a região. Ele era chamado de Pedra Dente ou Dente dos Espíritos e não era muito bem visto, já que imaginavam que dali saíam maus fluídos.

Localizado em meio a uma das maiores florestas urbanas no mundo, visitar o Bico do Papagaio é desfrutar da Mata Atlântica que ainda nos resta. O processo de degradação é histórico, desde a vinda dos colonizadores para cá, que precisaram desmatar para construir vilas e a monocultura de café, além de utilizar a própria madeira como matéria-prima para as construções.

Durante o século 19, imperador Dom Pedro II declarou a floresta da Tijuca como uma vegetação protetora, o que deu início ao processos de desapropriação de construções e uma outra etapa posterior de reflorestamento. A região se transformou em parque em 1967, então com 33 km2. A área subiu para 39 km2 em 2004, com o acréscimo do Parque Lage, Serra dos Pretos Forros e o Morro da Cavanca.

Atualidades da Trilha do Bico do Papagaio

Além da interferência direta da atividade humana na extinção de áreas verdes ao longo de tantos anos, o impacto indireto ocorre com registros de temperaturas cada vez mais altas na região, bem como de chuvas intensas. Fato é que os registros dos últimos cem anos nem precisam dizer que a temperatura está mais alta (nós mesmos já estamos sentindo essa diferença, certo?)

Durante a trilha do Bico do Papagaio o microclima é favorável para a atividade física porque fica úmido e fresco, em contraste com o calorão da cidade. As chuvas também têm sido abundantes e algumas vezes causando danos na região. No ano de 2010, uma área de 9 mil m2 foi destruída dentro do parque, com deslizamento na região.

Para qualquer tipo de trilha, vale a recomendação de evitá-la até depois de alguns dias da chuva, já que o terreno pode estar escorregadio. Com o verão chuvoso e inverno mais seco, prefira as estações intermediárias, mesmo que no Rio de Janeiro essa diferença quase não seja notada ao longo do ano, ao menos quando se fala em temperatura. Por questões de segurança, a trilha deve ser feita pela manhã ou início da tarde. O acesso à trilha é permitido até as 16h em horário de verão e às 15h no horário normal.

O que ninguém fala

Infelizmente foram noticiados alguns casos de assaltos na trilha do Bico do Papagaio, sem maiores consequencias, mas é sempre bastante desagradável e a polícia tomou providências cabíveis. Entretanto, sugerimos fazer a caminhada em grupos e não levar itens de valor em suas expedições.

Animais na Trilha do Bico do Papagaio

É importante perceber também que é uma trilha no meio da mata atlântica e justamente por isso, está repleta de animais selvagens, como cobras e lagartos. E muitos deles são mais ativos de noite, período em que a trilha é desaconselhada. Por isso vale a pena andar com cuidado e respeitar quem manda no ambiente, nesse caso, os animais.

Não precisamos dizer, você sabe que deve recolher todo o seu lixo, não deve alimentar algum animal curioso que apareça e nem fazer qualquer tipo de fogo. Se ficar com dúvida pergunte, se achar que desaconselhável, não faça.

O ideal é fazer a trilha do Bico do Papagaio com um guia certificado, mas se isso não for possível, leve sempre uma bússola e informações sobre os caminhos e itens de segurança e comunicação. Não é raro pessoas se perderem nas trilhas e terem que ser resgatas porque não conseguiram achar uma direção a seguir na mata. Sem paranóia, mas segurança em primeiro lugar.

Créditos das imagens e agradecimentos para este artigo Trilha do Bico do Papagaio: Comunidade Presbiteriana da Freguesia e Ricardo Moura.

Texto com contribuição de Camila Almeida.