Por que visitar a Pedra Bonita e sua trilha?

A Trilha da Pedra Bonita é um dos percursos mais acessíveis e rápidos para contemplar a vista do Rio de Janeiro. Ela fica no Setor C do Parque Nacional da Floresta da Tijuca, na mesma área onde fica a Pedra da Gávea e a Agulhinha da Gávea (ou Pedra Aguda). Apesar de ser o menor setor do parque, ele é a atração perfeita não só para trilheiros, mas também escaladores e para quem quer saltar de parapente ou voar de asa delta. Lá fica uma das rampas de voo livre mais famosas e agitadas do mundo.

Parapente decolando da Pedra Bonita

É possível chegar aos pés da trilha da Pedra Bonita de carro, táxi ou a pé, mas nem sempre dá para estacionar, por causa do movimento. Para quem vai de ônibus, a linha 448 – Maracaí permite o acesso até o portão de entrada e de lá é só seguir a pé. Essa entrada do parque é feita pela Estrada das Canoas, em São Conrado.

Do estacionamento, você vê a placa de sinalização da trilha da Pedra Bonita, que tem pouco mais de 1.200 metros de extensão, com duração média de 35 minutos. Antes de subir, você precisa deixar seu nome no posto de controle. O percurso é relativamente fácil, com trechos de terra e pedra e alguns pontos para conferir a vista. Apesar de ser uma subida, não chega a ser íngreme exigindo uma escalaminhada. Só se recomenda cuidado redobrado em caso de chuva porque o solo fica mais escorregadio. O trajeto é aberto, facilitando a passagem dos grupos que encontrar pelo caminho.

Trilha da Pedra Bonita

O ideal é você ir o mais cedo possível, por motivos óbvios: temperatura mais amena e menos gente. Mas se chegar tarde, a vantagem é que a Pedra Bonita tem uma área grande para circular, sem ter que esperar vagar lugar para você poder tirar uma foto. A 693 metros acima do nível do mar, a Pedra permite avistar São Conrado e parte da Zona Sul, além da vizinha Pedra da Gávea.

De lá, tem grupos que seguem para a Trilha do Pico Agulhinha da Gávea, também chamada de Pedra Aguda, por causa do seu formato pontiagudo. Tem gente que começa por essa trilha para depois seguir para a Pedra Bonita e também é indicada para quem é iniciante em trilhas. Neste percurso você consegue avistar o Morro Dois Irmãos. Somando este trecho e o da Pedra Bonita, seu roteiro deve levar um total de 4 horas. Fazendo os dois trechos ou não, a orientação é que você comece a trilha até as 14h, para dar tempo de retornar ainda durante o dia e dentro do horário de funcionamento do parque (8h às 17h ou 18h no verão).

Pedra Bonita asa delta e voo livre

Para quem quer escalar, pode escolher entre as 10 vias na Pedra Bonita. A mais famosa, considerada não muito difícil, é a Lionel Terray. E se o seu único objetivo neste setor do parque é a pista de voo livre, o acesso é bem fácil. Do estacionamento, basta seguir pelas escadas por uns 20 minutos. Você pode assistir o pessoal se aventurando na asa delta ou parapente tanto dos fundos (se não estiver tomado de equipamentos em fila) ou ir para as arquibancadas debaixo da rampa. Este espaço é bem apertado mas tem uma vista agradável da cidade, além de poder acompanhar a saída dos voos. A área da rampa é administrada em parceria com a Associação Brasileira de Voo Livre. Os valores dos voos costumam aumentar na alta temporada, mas, no geral, variam entre R$ 300 e R$ 600. A entrada no parque é gratuita.

Passado Histórico da Trilha da Pedra Bonita

Durante o século 19, a área que hoje compreende o parque era devastada para dar lugar a novas moradias e monocultura, principalmente o café. A trilha da Pedra Bonita que conhecemos hoje era o percurso de moradores da região para chegar às propriedades. O trecho tem uma parte de calçamento chamado “pé-de-moleque”, que foi feito por escravos e fica logo no início da trilha.

O imperador Dom Pedro II declarou a Floresta da Tijuca como uma região protetora, o que determinou desapropriações na região. A partir disso também foi iniciado o processo de reflorestamento e, anos depois, de paisagismo em alguns pontos. A região se transformou em parque em 1967, então com 33 km2. A área subiu para 39 km2 em 2004, com o acréscimo do Parque Lage, Serra dos Pretos Forros e o Morro da Cavanca.

Atualidades da Trilha da Pedra Bonita

Assim como qualquer área verde, o entorno da Pedra Bonita está sujeito às ações do tempo, com temporadas de calor intenso e seco e também pela ação dos seus visitantes. A administração do parque orienta para que não se faça atalhos na trilha para evitar a erosão.

Além disso, o parque tem sofrido com as épocas de chuva, quando temporais provocam deslizamentos e o desmatamento de áreas com espécies nativas. Este ecossistema faz com que o microclima no parque seja mais úmido e fresco, o que é um alívio para todos os visitantes.

A Pedra Bonita

Praticamente em todo o Parque Nacional da Tijuca é possível praticar a observação de aves, o que qualquer um pode fazer. Basta levar binóculos ou luneta. Por questões de segurança, a orientação é que a trilha deve ser feita pela manhã ou início da tarde. O acesso é permitido até as 16h em horário de verão e às 15h no horário normal.

O que ninguém fala sobre a Pedra Bonita

Houveram alguns acidentes há alguns anos envolvendo instrutores e alunos e voo livre na Pedra Bonita. Lamentáveis acidentes que obrigaram a implementação de políticas de fiscalização periódica pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).

Entretanto, os usuários devem ser os primeiros interessados em sua própria segurança. Use sempre equipamento de segurança se desejar saltar de asa delta ou parapente. É obrigação da administração da pista fornecer o treinamento adequado e equipamentos em perfeito estado.

Vista da Pedra Bonita

Vale lembrar que a vocação da Pedra Bonita é para pista de voo livre e parapente, dessa forma não existe “proteção” ao final da pista, que é inclinada. Ao fim, o abismo. Por isso, respeite o lugar e não se arrisque sem motivo. Por outro lado, a parte que não é destinada aos saltos, também não tem proteção, justamente por isso oferece uma vista ainda mais incrível.

Verifique se para você é pertinente levar crianças. Em todo caso, mantenha suas crianças sempre em vista.

Infelizmente, muitos atletas de alpinismo e trilhas estão mudando suas rotinas de treinos devido ao índice de assaltos nas trilhas da Floresta da Tijuca. Bem como o encontro inesperado com bandidos em fuga pelas trilhas. Por isso recomendamos que as atividades sejam feitas em grupo e com bastante luz do dia.

Se for de carro, chegue bem cedo. Antes de abrir o parque já há fila de carros se o dia estiver bonito. Estacionar na região pode ser estressante. Talvez o ideal seja ir de metrô até a estação do metrô São Conrado, acesso C (Estrada da Gávea) e de lá pegar um táxi, Uber ou assemelhado até a Pedra Bonita. Não recomendamos o uso de van e kombis. Recomendamos a leitura do nosso Guia de Transporte Público para a cidade do Rio.

A procura elevada em um dia bonito também pode atrapalhar um pouco da experiência na trilha e na pista de voo pela grande quantidade de pessoas, poses para fotos e câmeras. Mas, aí é preciso lembrar que a ideia do passeio é relaxar e não se estressar com as pessoas.

Créditos das imagens e agradecimentos para este artigo Trilha da Pedra Bonita: Jornada Mundial da Juventude, Leonardo Shinagawa, Marcelo Martins Teixeira, Pedro Sampaio Jordão e Trilhando Montanhas.

Texto com contribuição de Camila Almeida.