Os golpes contra turistas no Rio de Janeiro não são muito diferentes dos que acontecem em outras cidades ao redor do mundo. Entretanto, algumas peculiaridades são marcantes e infelizmente, não são abordadas na mídia em geral. As dicas e reflexões à seguir são oferecidas pela equipe do site, que já viveu pessoalmente muitas das situações descritas, ao custo de estar em situações potencialmente perigosas pelo desejo de ajudar alguém, ou colocar-se um pouco mais ingenuamente nas situações do dia a dia carioca. Este guia de golpes tem como principal objetivo economizar o seu estresse e tentar alertar você sobre situações potencialmente prejudiciais. O objetivo não é amedrontar. Este texto quase que resume todos os conselhos maternos e paternos, oferecidos por pais cariocas cuidadosos. Observe que não falamos aqui sobre questões ligadas à violência e situações que podem importar um risco maior para você. Se desejar esse tipo de informações, leia o artigo a Violência no Rio, um guia voltado para turistas.

Golpes Contra Turistas no Rio de Janeiro

Alguns cariocas veneram a malandragem enquanto instituição e todos nós pagamos o preço disso. Somos nacionalmente conhecidos como um povo preguiçoso, metido a esperto e que, sempre que possível, passa a perna nos outros. É uma fama relativamente injusta, que as estatísticas desmentem. Uma pesquisa feita em 2005 pelo IBGE revelou que a região metropolitana fluminense era aquela com maior jornada média semanal de trabalho do país. O que prova que, de malandro mesmo, o carioca tem só a fama e não a vida. E de fato, muito poucos tentam tirar vantagens aplicando golpes contra turistas no Rio.

Mas é verdade também que, como em qualquer cidade turística do mundo, uma série de diversos golpes contra turistas se desenvolveu no Rio de Janeiro tendo como alvo básico o visitante. Quem vem de fora deve estar preparado e este guia pretende ser um auxílio nesse sentido. É sabido que malandragem é algo que até se aprende, mas é difícil de ensinar. Porém, manter o olho vivo é um hábito recomendável para quem quer ser apenas turista e não uma vítima potencial. Confira as dicas que podem ajudar para isso.

Golpes Contra Turistas Praticados por Taxistas

O personagem Agostinho Carrara, do seriado A Grande Família, muito popular entre os brasileiros, entrou para o imaginário popular como a síntese dos defeitos e qualidades do taxista carioca. Trata-se de um sujeito meio trapalhão, que tenta levar vantagem em tudo, mas que, no fundo, tem um bom coração. Agostinho só existe na ficção. Mas foi inspirado nos motoristas de carne e osso que circulam pelas ruas do Rio.

Um clássico golpe praticado contra turistas que os maus taxistas cariocas costumam tentar realizar é a chamada corrida “no tiro”. A viagem com preço pré-determinado é irregular e o visitante deve sempre exigir a cobrança pelo taxímetro. A única exceção é quando o embarque acontece nos aeroportos ou na rodoviária, o que permite que o condutor faça a cobrança de preços tabelados por companhias que operam dessa forma, o que antecipadamente não recomendamos . É recomendável que o turista sempre verifique o acionamento do taxímetro no começo do percurso. Existem hoje sites que conseguem calcular a tarifa aproximada entre dois locais e o trajeto mais provável.

Você pode e deve reclamar da conduta de maus taxistas. Basta anotar a placa e ligar para o telefone de atendimento ao público sobre os táxis da cidade, que é +55 21 1746, oferecido pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Porém, recomendamos não entrar em conflito ou discutir com um mau profissional. Faça a sua chamada após o desembarque. Ou, se você realmente precisar de ajuda, a ligação, neste caso, é para a polícia, no telefone de emergências 190, ou para a delegacia especializada no atendimento aos turistas: +55 21 2232-2924.

Outra manobra conhecida dos motoristas mal-intencionados é fazer o caminho mais longo para poder cobrar mais. Monitorar a rota por meio de aplicativos de celular é a melhor maneira de evitar esse tipo de problema. Outros apps permitem que o turista chame táxis, o que ajuda a combater outro mau hábito dos taxistas cariocas: o de negar corridas pelos mais diversos motivos, desde se tratar de uma corrida curta até recusar levar o passageiro até alguns lugares da cidade, como o bairro de Santa Tereza, por exemplo. Quem precisar pegar um táxi na rua deve recorrer às cooperativas especializadas, que são uma opção mais segura por permitirem um contato posterior à viagem. Minimizando a chance de pequenos golpes contra turistas no Rio.

Veja aqui um aplicativo popular no Rio de Janeiro para chamar táxis via smartphones. Se você ainda não conhece o Uber, aqui está o link do aplicativo para smartphones. O Uber não oferece telefone para atendimento ao público no Rio de Janeiro, entretanto, está disponível o email ajudario@uber.com para tratar de fatos acontecidos na cidade e há a ajuda oficial, além da ajuda por meio do próprio aplicativo.

Veja algumas dicas sobre como se deslocar na cidade com o nosso Guia de Transporte Público.

Golpes Contra Turistas Praticados por Garçons

Já se tornou folclórica a postura descompromissada de alguns garçons cariocas em seus locais de trabalho. “O garçom carioca é antes de tudo um nobre”, escreveu Antônio Prata numa crônica inteiramente dedicada ao tema. O cliente pouco acostumado a esse tipo de tratamento precisa ter paciência, afinal, alguns garçons acham que estão lhe prestando um favor em lhe atender. Embora não seja um golpe praticado contra turistas, é muito irritante. É comum, por exemplo, que o cliente fique muito tempo esperando a atenção dos garçons. Pedidos trocados não são tão comuns, mas acontecem. E a conta deve ser conferida ao final, pois tanto se pode cobrar a mais como a menos, sendo relativamente comuns erros no lançamento do consumo de uma mesa, por isso não consideramos exatamente um tipo de golpe, mas displicência.

Além disso, é comum que os garçons não tenham a paciência de explicar como são feitos alguns pratos do cardápio – e às vezes nem saibam –, ou mesmo de esperar que o cliente decida o que quer pedir.

Para driblar esses problemas, tanto turistas como cariocas podem se valer de alguns truques.

O principal deles é dar preferência aos horários de menor procura de bares e restaurantes. Chegar um pouco mais cedo pode significar um atendimento vip sem acréscimo de preço. Outra estratégia valiosa é reservar uma mesa no local onde se vai comer. É algo que passa despercebido no dia a dia, mas que numa viagem representa mais tempo para aproveitar outras atrações. E é sempre bom também ter em mente uma segunda opção próxima, caso o estabelecimento escolhido se encontre lotado.

Outro ponto importante é acerca das gorjetas. Aqui no Rio de Janeiro, o serviço é pago com 10% sobre o valor da conta, contudo, não é obrigatório, e os restaurantes devem apresentar a conta sem esse acréscimo, indicando qual é esse valor e a soma final. Os 10% de serviço são opcionais para o cliente, e servem como uma forma de premiar o bom atendimento. Assim, se você gostar do atendimento prestado, é praxe autorizar a inclusão dos 10% sobre o total da conta, valor esse que deve ser repassado pelo empregador aos garçons.

Golpes Contra Turistas nas Praias

A praia é o habitat natural do carioca. É nela que o nativo se encontra e confraterniza nos dias de sol. Isso faz com que quem não seja daqui fique mais exposto no meio do mar de barracas na areia, tornando-se presa fácil de furtos e preços extorsivos. Ir em grupo ou usar um hotel ou quiosque como “base” para deixar os pertences são formas de aproveitar o passeio sem perder nada.

Já os preços sempre são passíveis de negociação com os vendedores. Escolha uma barraca, diga quanto tempo você vai ficar e combine o preço antecipadamente, se desejar, coloque na lista todos os itens e serviços vendidos pelo responsável. A barganha no Rio, como tudo por aqui, é muito baseada na sedução e no “choro”, frases como “tá muito caro” ou “assim eu não aguento” combinadas com um pouco de persuasão podem render bons descontos.

Golpes Contra Turistas Praticados por Camelôs

Camelô Ambulante Vendendo Produtos Não Autorizados no Rio

Ao comprar de camelôs fique atento a algumas circunstâncias: consumir alimentos e bebidas vendidos desta forma, especialmente no calor, pode levar a riscos a saúde, pois não há controle efetivo sobre como são preparados e armazenados. Nas praias e em diversos pontos do Rio existem muitas barraquinhas e pessoas que que preparam e oferecem os mais diferentes lanches e bebidas, avalie com cuidado as condições de higiene se desejar comprar algo, porém,não é recomendável no Rio de Janeiro comer ou beber algo sem saber a procedência; produtos comprados em camelôs não têm qualquer garantia além da quase certeza do golpe praticado contra turistas de exagerada boa fé; os preços podem ser bastante altos, especialmente se o turista é o comprador, ficando o visitante vulnerável durante essa compra.

Sugerimos fortemente não consumir alimentos feitos com maionese e vendidos nas praias, pois esse ingrediente se deteriora muito rapidamente no calor, podendo causar grave infecção intestinal e estragar a sua viagem.

Golpes Contra Turistas em Pontos Turísticos

Uma reportagem feita em 2012 pelo Jornal Hoje revelou a ação de falsos guias turísticos na subida para o Cristo Redentor, no Cosme Velho. Eles abordavam turistas com uma opção de transporte até o monumento com um preço menor do que o praticado pelos veículos credenciados, mas que, na verdade, era referente a uma van que cumpria apenas metade do percurso. O caso é um exemplo dos problemas gerados pela atuação de pessoas mal-intencionadas no setor do turismo. O fenômeno dos falsos melhores amigos não é exclusividade do Rio. Mas acontece por aqui também e exige que o turista esteja preparado para ele.

O visitante deve sempre dar preferência a agências especializadas na hora de fazer um passeio e estar bem informado sobre o que se trata. A internet é uma ferramenta valiosa nesse ponto e que hoje se encontra ao alcance da maioria das pessoas. Verificar o horário de funcionamento dos pontos turísticos e os preços lá praticados são cuidados simples, mas que podem evitar grandes dores de cabeça. E estar atento é uma precaução necessária não só nos momentos de turismo, mas no próprio cotidiano de qualquer pessoa que viva numa grande cidade.

Golpes Contra Turistas Praticados por Pedintes

É muito comum no Rio, porém, mais direcionado aos locais o golpe praticado contra turistas de alguém que pede para que lhe compre um remédio ou fraldas para crianças. Infelizmente, os casos reais de pessoas que necessitam desta ajuda são ofuscados por aqueles que, explorando a boa vontade alheia, conseguem o que dizem precisar e depois retornam à loja onde o produto foi adquirido para tentar devolver a mercadoria e ficar com o dinheiro correspondente.

Também é muito comum que moradores de rua peçam dinheiro para se alimentar, se você realmente deseja ajudar, mas não quer correr o risco de ser enganado, sugerimos que compre efetivamente algum alimento em lanchonete próxima e o entregue ao pedinte. Entretanto, recomendamos fortemente que não mexa com seu dinheiro na presença dessas pessoas, pois eventualmente pedintes cometem crimes de oportunidade.

São comuns também os golpes contra turistas que acreditam em falsos repersentantes de abrigos, casas de saúde, creches, orfanatos e diversas instituições de assistência internacional, que passam listas das diversas pessoas que já contribuíram e tentam sensibilizar pela culpa.

Sugerimos fortemente também que você nunca acompanhe qualquer pessoa desconhecida para comprar algo ou “ajudar” alguém que diz precisar desesperadamente. Para isso existe a polícia, que pode ser acessada pelo telefone 190 ou o serviço de ambulâncias do Rio, que pode ser acessado pelo telefone 192. Se deseja comprar algum alimento para alguém, determine que a pessoa espere onde está e você lhe trará o alimento. Ou melhor ainda, não responda ao pedido e simplesmente retorne com algo para comer para a pessoa.

Outros Cuidados

Tenha cuidado com equipamentos eletrônicos, como máquinas fotográficas e celulares. Não peça a qualquer pessoa que tire fotos suas, por exemplo. E jamais aceite a oferta de estranhos para tirar sua foto. Também não empreste seu telefone celular para que outras pessoas façam ligações, pois muitos golpes contra turistas são praticados assim.

Se for utilizar caixas eletrônicos, fique atento ao entorno. Muitos furtos acontecem em saída de bancos, quando pessoas observam os clientes e abordam aqueles que saem das agências após realizar saques em caixas eletrônicos. O melhor é ser discreto ao manusear dinheiro nesses locais, e somente se afastar do caixa e sair da agência com o dinheiro já guardado.

Turistas Vendo Mapa Distraidamente

Sugerimos não usar roupas extravagantes e nem exibir desnecessariamente seus mapas e guias turísticos. Essa é uma atenção que você não deseja chamar. Nem folheie seus documentos de viagem, incluindo mapas e livros, distraidamente na rua, faça isso tomando um sorvete, uma água ou qualquer outra coisa em um lugar mais reservado.

Nunca aceite que lhe coloquem colares, pulseiras, camisas e afins “para esperimentar”. Alguns golpes contra turistas usam essa técnica para dizer que o cliente está usando o produto e não quer pagar, aplicando-lhe um tipo pirracento de extorsão. Ou marcando, com um eventual presente, uma potencial vítima para ser aborda à frente. Lamentável, mas existe.

Golpes na Noite Carioca

As noites cariocas são uma marca registrada da cidade. Mas dançar, beber e se divertir não exime ninguém de suas responsabilidades em relação à própria segurança. O ideal é sair em grupo, o que permite que cada um tome conta do outro. Ler sobre o local a ser visitado também é uma boa dica.

O cuidado com os drinks é indispensável, porque evita a aplicação de golpes contra turistas como o “Boa Noite, Cinderela”, em que uma pessoa coloca uma droga na bebida de outra, deixando-a desacordada, e com isso leva todos os seus objetos de valor. Esse cuidado deve acontecer também em relação às pessoas que se leva para o hotel em que está hospedado, pois muitas vezes o golpe é aplicado após a vítima sair acompanhada do local onde está, com algum desconhecido, sendo surpreendida quando já se encontra no quarto do hotel em que se hospeda.

Ter o contato de um taxista que já tenha se mostrado confiável ou informações precisas sobre a circulação de ônibus e metrô no local da noitada garante uma volta tranquila para casa. É muito comum no Rio de Janeiro combinar com um taxista de confiança que lhe busque em determinado local, com hora marcada e certamente seguindo o taxímetro.

O Que Ninguém Fala Sobre os Golpes Contra Turistas

  • A amabilidade do carioca é conhecida internacionalmente, mas mesmo entre nós, ficamos desconfiados quando alguém parece exageradamente solícito, parecendo ser instantaneamente seu melhor amigo. Muitas vezes essa super intimidade pode não significar nada, em outros casos, pode significar a espera de algum tipo de vantagem. Especialmente quando se é turista internacional no Rio.
  • O custo de vida no Rio de Janeiro é o mais alto do país, os produtos e serviços são caros por natureza e ainda mais dada a crise se que instalou no Estado. Desconfie se o produto ou serviço que você pretende adquirir tem valor muito abaixo dos concorrentes ou do razoável. Da mesma forma, se estiverem muito caros. Dê preferência a empresas aparentemente consolidadas, evite compras duvidosas. Acreditamos que uma diferença de para mais ou para menos da ordem de 35% em relação aos concorrentes e em relação ao valor que o item teria na conversão para a moeda de seu país são indícios suficientes para suspeitar de que algum pequeno golpe contra turistas pode estar em andamento. Observe sempre o conjunto da situação, incluindo uma avaliação do local e a insistência do vendedor para não cair em golpes contra turistas.
  • Você não precisa ser simpático com todas as pessoas, na verdade, o que se espera do turista é que seja civilizado e respeitoso. Maus cariocas interpretam simpatia como fragilidade. Sabemos que você está viajando e aproveitando um momento feliz, mas sugerimos que você considere que infelizmente, algumas pessoas vão querer tirar vantagem de sua simpatia e alegria. Você conhece a sua própria cidade, haja como se estivesse nela. Você conhece os riscos de sua própria região, não desconsidere esse conhecimento apenas por estar em outra cidade. Não desligue os seus instintos. O Rio de Janeiro é mostrado para os turistas como sendo feito de luz, som, alegria e purpurina, mas é uma cidade como qualquer outra, com seus aspectos bons e também os ruins.

Créditos das imagens: Bibliotecasparque.rj.gov.br, Hugo Pardo Kuklinski, Rio.rj.gov.br, Silvia Siles