Por Que Visitar A Feira de São Cristóvão

A Feira de São Cristóvão é um dos espaços culturais mais interessantes do Rio de Janeiro. Seu surgimento foi fruto da saudade de inúmeras gerações de nordestinos que abandonaram a terra natal para ajudar a construir a Cidade Maravilhosa. Toda essa saudade se transformou em alegria e hoje faz com que os cariocas possam contar com um lugar que oferece uma homenagem à altura de uma região de grande importância do Brasil: o nordeste. Os 800 quilômetros que separam o Rio do Nordeste somem no momento em que o turista ingressa na Feira de São Cristóvão e entra em contato com o rico universo que ela abriga. Passar uma noite ali é garantia de diversão, boa comida, música ao vivo, dança e muita alegria.

Feira de São Cristóvão

O Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas (Feira de São Cristóvão) conta com cerca de 700 barracas e 200 restaurantes com produtos típicos do norte e nordeste. As barraquinhas formam um verdadeiro mercado e vendem peças de artesanato, literatura de cordel e outros produtos tipicamente nordestinos são a principal atração da feira. Que também é uma boa mostra da expressão cultural nordestina, expondo diversos itens regionais.

Comidas na Feira de São Cristóvão

A oferta de alimentos é um capítulo à parte, com opções para todos os gostos. É possível encontrar camarão seco, farinhas de vários tipos, cajuína e outras bebidas da região sem precisar andar muito pelos mercados e bazares. Tudo isso sem falar nos restaurantes, que oferecem os pratos regionais abundantes a preços acessíveis. Açougues, karaokês, museu e até boates são outros atrativos da feira dos paraíbas (como controversamente também é conhecida), que há muito tempo deixou de ser um refúgio de migrantes para se tornar um dos programas mais animados da cidade.

Toda essa magia acontece no Pavilhão de São Cristóvão, um local de 160 mil metros quadrados no coração da Zona Norte do Rio. A boa localização da Feira de São Cristóvão favorece o acesso por meio de transporte público e o amplo espaço abriga pontos feitos sob medida para a apresentação de artistas populares. A Praça dos Repentistas fica bem no centro da arena e recebe duelos de improviso protagonizados por talentosos violeiros (repente). E o forró, dança típica nordestina, dita as regras nos palcos Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, localizados nas duas extremidades do pavilhão de formato oval. Não é raro que cantores e bandas venham diretamente do Nordeste para fazer shows na Feira de São Cristóvão.

Passado Histórico da Feira de São Cristóvão

A Feira de São Cristóvão é hoje um dos mais conhecidos pontos turísticos do Rio de Janeiro, no bairro que leva o mesmo nome. Esta região da cidade começou a se desenvolver no século XVI sob o domínio dos jesuítas. Uma igreja em devoção a São Cristóvão erguida por eles em 1627 batizou a área. A expulsão da ordem religiosa em 1759 fez com que a região fosse subdividida em chácaras, num formato que perdurou até o século XIX. A chegada da Família Real portuguesa em 1808 e a cessão por parte do comerciante português Elias Lopes de suas terras na área à monarquia mudaram a sorte de São Cristóvão. O bairro imperial teve dias de glória e só conheceu a decadência a partir da proclamação da república em 1889. Seus casarões foram transformados em cortiços, que passaram a coexistir com lojas e indústrias.

Novos personagens se incorporaram a esse cenário na década de 1940. A construção de rodovias como a Rio-Bahia transformou o Campo de São Cristóvão em porta de entrada da cidade para nordestinos que chegavam ao Rio para trabalhar na construção civil. A recepção animada com música e comida típica deu origem à feira atual. Sua data oficial de nascimento é 2 de setembro de 1945, quando o poeta Raimundo Santa Helena leu no local um cordel sobre o fim da Segunda Guerra Mundial para dar boas-vindas a retirantes recém-chegados, anunciando a vocação do local para a arte, boa comida, música e alegria que marcariam tanto a futura Feira de São Cristóvão.

Feira de São Cristóvão antes do Pavilhão de São Cristóvão

As obras do Pavilhão de São Cristóvão começaram em 1958. O espaço foi projetado pelo arquiteto Sérgio Bernardes para abrigar a edição da Exposição Internacional de Indústria e Comércio e foi inaugurado em 1962. A feira ocupava naquela época os entornos da construção e era vítima de frequentes ameaças de remoção. O local era mal visto pela sociedade carioca, que enxergava com enorme preconceito um espaço cultural criado e frequentado por nordestinos de baixo poder aquisitivo. A legalização da feira só veio em 1982 e, nove anos depois, a lei 2.052 criou o Espaço Turístico e Cultural Rio/Nordeste.

A recém criada Feira de São Cristóvão chegou aos anos 2000 com um reconhecimento cada vez maior, mas uma estrutura ainda muito precária. As barracas cobertas de lona não contavam com as condições ideais para receber turistas. O problema só foi definitivamente resolvido em 2003, quando foi criado pela prefeitura o Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. O nome homenageia o músico pernambucano que, a partir do Rio, espalhou a cultura nordestina para todo o Brasil. E a feira foi levada para dentro do Pavilhão de São Cristóvão, que estava abandonado havia muitos anos.

Atualidades da Feira de São Cristóvão

A última grande reforma da Feira de São Cristóvão aconteceu em 2012. A obra de 11 milhões de reais foi financiada pelo município do Rio de Janeiro e incluiu importantes mudanças no espaço. Foram instalados painéis com lonas que remetem a rendas nordestinas, mastros com as bandeiras dos estados da região e iluminação cênica no local. A Praça dos Repentistas ganhou uma arquibancada e a estrutura de combate à incêndio do espaço foi revisada.

Festa junina na Feira de São Cristóvão

Nos meses de junho e julho, com as comemorações das festas juninas, a Feira de São Cristóvão expõe decoração comemorativa e promove fogueiras, comidas típicas, cerimônias de casamento na roça, brincadeiras, quadrilhas, forró e muita música caipira.

Em 2017 a Feira de São Cristóvão celebra seu 72º aniversário como sinônimo de espaço de integração cultural, que recebe amistosamente cariocas, nordestinos e turistas locais e internacionais, reunindo classes sociais diversas que interagem em harmonia, ao som de boa música, forró animado e bastante comida gostosa.

A feira descansa na segunda, mas fica aberta de terça a quinta, no horário de 10h às 18h (exceto feriados) e de 10h de sexta a 21h de domingo, sem intervalos. O horário de funcionamento contínuo nos fins de semana é uma herança dos tempos em que as barracas ficavam do lado de fora do pavilhão. A entrada é gratuita de terça até às 18h de sexta, quando passa a custar 5,00, e 10,00 reais no final de semana. O bilhete dá direito a todas as atrações da feira. Apenas em vésperas de feriados é cobrado valor adicional para eventual show programado, que pode levar o ingresso até os 30,00 reais. O melhor momento do dia para ir ao local é a noite. É nesta hora que a feira fica cheia e seus frequentadores mais se divertem nos restaurantes e palcos musicais do espaço. Acompanhe a programação dos shows e os destaques da Feira de São Cristóvão na página oficial deste pedacinho do Nordeste muito querido no Rio de Janeiro [Feira de São Cristóvão], mais informações via telefones +55 21 2580-5335 e 2580-6946.

Há várias formas possíveis de se chegar à feira e seus mercados. A mais indicada é via Uber (uberX entorno de 25,00 saindo da zona sul) ou semelhantes se você quiser um pouco mais de conforto e segurança. Porém, é possível chegar via metrô saltando na estação São Cristóvão ou Cidade Nova e complementando a viagem via táxi, Uber ou semelhantes. Veja o nosso Guia de Transporte Público. Não recomendamos aos turistas que andem de ônibus por questões de segurança , entretanto, a Feira de São Cristóvão é atendida por ônibus da linha Integração Expressa 209A (Metrô-ônibus, estação de metrô Estácio), que percorre os bairros do Estácio, Caju e São Cristóvão. Já quem vem de Copacabana pode optar por linhas como 474 e 441. Elas também são alternativas para quem vem de Ipanema e passam pelo Centro, onde circulam outros ônibus que param perto da Feira de São Cristóvão, que acontece no Pavilhão de São Cristóvão. O endereço do local é Campo de São Cristóvão, sem número. Veja o mapa interno da feira.

O que Ninguém Fala sobre a Feira de São Cristóvão

  • Embora a Feira de São Cristóvão seja um local muito querido pelos cariocas, as imediações do local são perigosas, com risco de assaltos e violência, por isso seja assertivo e dirija-se direto à entrada do Pavilhão de São Cristóvão, especialmente à noite.
  • A Feira de São Cristóvão oferece estacionamento pago e limitado a 800 veículos, custando o valor único de 13,00 reais entre terça e sexta e 15,00 reais nos finais de semana. Se desejar uma vaga oficial, chegue mais cedo. Caso contrário recomendamos não ir com veículo particular, pois é grande a atividade de flanelinhas (guardadores informais de automóveis) nas imediações da feira, que disputam entre si pelo motorista, o que muitas vezes é bastante desagradável, inseguro e caro (cerca de 20,00 reais).
  • Infelizmente, o Pavilhão de São Cristóvão teve problemas no custeio do fornecimento de eletricidade para os restaurantes (abril/2017), o que levou muitos comerciantes a terem problemas no armazenamento de alimentos perecíveis. Aparentemente o problema foi resolvido.
  • A refrigeração dos comércios é individualizada, isso faz com que alguns estabelecimentos fiquem um pouco quentes. Prefira roupas leves e soltas para poder dançar e ficar bem ventilado(a). Sapatos baixos e dinheiro vivo para as lojinhas também são aconselháveis.
  • Feira de São Cristóvão e seus visitantes

  • A Feira de São Cristóvão é um lugar intenso, propenso a aglomeração de visitantes, falatório e barulho. Se você prefere um pouco menos de agitação, sugerimos ir mais cedo.

Créditos pelas imagens utilizadas neste artigo Feira de São Cristóvão e agradecimentos para: Alexandre Macieira, Jonas de Carvalho, Multirio.rio.rj.gov.br, Rio.rj.gov.br, Rodrigo Soldon2.